Estima-se que somente em 2022 mais de 10 mil novos casos da doença sejam diagnosticados no Brasil 

Foto: Dialum AssessoriaFoto: Dialum Assessoria

A leucemia ocupa a 9ª posição entre os tipos de câncer mais comuns em homens e a 11ª em mulheres. E estima-se que, somente em 2022, mais de 10 mil novos casos sejam diagnosticados no Brasil. Esse é também o mais recorrente em crianças e adolescentes, representando cerca de 1 em cada 3 tipos detectados. Por isso, este mês é dedicado a levar informação sobre esse tema, uma vez que o diagnóstico precoce pode salvar vidas.

A hematologista da clínica Oncolog, Paloma Borges dos Santos, destaca sinais que, ao serem notados, devem servir de alerta e estimular a busca por um especialista. Cansaço, manchas pelo corpo, aumento do fígado ou baço, podem ser manifestações que indicam a existência da doença. Além disso, anemia, sangramentos sem causa definida, febre inesperada e sudorese noturna também podem ser manifestações da doença.

“Também podem ocorrer dores nos ossos e nas articulações. O diagnóstico pode ser feito por meio de um hemograma, mas, algumas vezes é preciso fazer uma biópsia de medula, que vai aspirar a mielograma, a imunofenotipagem e a retirada de uma amostra para a análise”, pondera a especialista. Ela ressalta ainda que o tratamento é diferente para crianças e adultos, além de depender também do tipo de leucemia.

“Existem vários medicamentos novos como os anticorpos monoclonais, que é uma medicação direcionada à célula que está doente. São feitos estudos no diagnóstico para identificar qual célula está mutada e usar uma medicação. É um tratamento menos agressivo para o organismo e mais efetivo”, explicou Paloma. Apesar de assustar os pais, as chances de cura das crianças e adolescentes são de 90%, dependendo do tipo.

Já entre adultos, este percentual fica em torno de até 60% e vale reforçar que a identificação precoce aumenta as chances de cura em até 75% dos casos. A origem da leucemia ainda é desconhecida. O que se sabe é que certos fatores podem aumentar o risco, dentre eles, a exposição à radiação, assim como certos produtos químicos e venenos podem facilitar doenças medulares.

Paloma aponta também que o fator genético é pouco representativo, mas é preciso ficar atento para que em qualquer suspeita possa se fazer uma investigação rápida.

Doação da medula

No ano passado houve uma alteração da idade limite para o cadastro de doadores de medula óssea no país de 55 para 35 anos. Antes, o doador podia se cadastrar até 55 anos de idade e o cadastro permanecia ativo até os 60 anos. Paloma explica que isso ocorreu porque a maioria dos bancos no mundo já adotavam essa faixa etária, de 15 a 35 anos, porque foi identificado que em doadores mais jovens a capacidade de regeneração é maior.

Além disso, pessoas mais velhas costumam ter outras doenças, como hipertensão, o que pode interferir na qualidade das células tronco. “A mudança ocorreu buscando ficar compatível aos bancos mundiais e garantir uma melhor proteção ao receptor”, justificou.

A doação pode ser feita de duas formas. A primeira é por aférese, uma máquina que vai colher a célula circulante diretamente da corrente sanguínea, por meio de um procedimento que dura cerca de 3 a 4 horas. Para isto, o doador deverá receber uma medicação por 5 dias para estimular as células-tronco. Já a segunda é a coleta direta da medula, na qual o doador será sedado e requer internação de 24 horas. As células são coletadas através de punções na região pélvica posterior (osso do quadril) e dura cerca de 90 minutos.

“A escolha do procedimento vai depender da doença do paciente e da equipe transplantadora que vai decidir qual a melhor forma. Qualquer um deles é bem pouco doloroso e a dor que fica se recupera em até 48 horas. A dor que vai passar é muito menor do que o benefício que vai causar na vida do paciente. O benefício é a garantia da vida do receptor e é muito maior para quem vai receber do que o risco que o doador vai correr ao fazer a doação”, argumenta a médica.

 

 

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