ReproduçãoReproduçãoTapoalu Kamayura, avó da bebê indígena Analu Paluni Kamayura, enterrada viva por quase seis horas, no dia 05 de junho de 2018, responderá por tentativa de homicídio duplamente qualificado e omissão de socorro. A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) foi feita nesta sexta-feira (27).

De acordo com a denúncia, Tapoalu tentou matar a sua neta recém-nascida, “por motivo fútil, com emprego de asfixia e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima. A acusada também deixou de prestar assistência e de pedir socorro da autoridade pública a pessoa ferida e em grave e iminente perigo, a saber, sua filha Maialla Paluni Kamayura Trumai, menor de idade”.

Conforme o MPE, a menor engravidou em 2017, a gravidez, no entanto, foi rejeitada por Tapoalu, que não aceitou uma “mãe solteira” em casa. “Por essa razão, premeditou a morte do bebê que estava por vir, de modo que convidou sua mãe Kutsamin Kamayura para sua casa, no período final da gestão”. A bisavó da bebê também foi denunciada pelo MPE.

Consta ainda na denúncia, que no dia do nascimento da bebê, no período vespertino, Tapoalu e sua mãe Kutsamin realizaram o parto de sua filha Maialla. “Na ocasião, Kutsamin, previamente ajustada com a acusada, retirou a bebê recém-nascida Analu da genitora e a levou para fora da casa. Assim, Kutsamin enrolou Analu em um pano e enterrou viva em uma cova no quintal da residência, sequer comunicando o óbito as autoridades competentes”.

Após o parto, Tapoalu manteve Maialla no interior da residência. Apesar da adolescente ter “sofrido uma grave hemorragia a avó e a bisavó se recusaram a levá-la ao posto de saúde, a fim de evitar que o parto e o posterior crime fossem descobertos”.

Conforme a denúncia, o crime foi cometido em virtude da rejeição sofrida pela recém-nascida no seio familiar, o que denota motivo fútil. “As acusadas ao enterrarem em uma cova a vítima ainda viva, praticaram o crime com emprego de asfixia. Por fim, em se tratando de um recém-nascido, evidencia-se a impossibilidade de defesa da vítima”.

Situação:

A bebê indígena Analu Paluni Kamayura Trumai foi transferida no dia 11 de julho da Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá, para o abrigo municipal Higyno Penasso, em Canarana. O translado aéreo foi acompanhado pelo Conselho Tutelar e Casa de Saúde Indígena (Casai) de Canarana, conforme determinação judicial. 

A medida protetiva de acolhimento institucional foi requerida pelo Ministério Público do Estado, por meio da Promotoria de Justiça de Canarana. Desde que foi resgatada (5 de junho), a menina permaneceu até o dia 11 de julho na unidade hospitalar onde enfrentou dois procedimentos cirúrgicos após ter sido diagnosticada com infecção generalizada, insuficiência respiratória e alimentada por meio de sonda.

A avó Kutsamin Kamayura e a bisavó Tapoalu Kamyurá cumprem prisão especial na sede da Funai em Canarana.