Foto: Tener BaumgardtFoto: Tener Baumgardt

Dona Sônia, mãe de Ari Celso, foi a segunda vítima do coronavírus em Água Boa. Aos 64 anos, hipertensa e diabética, ela foi internada no Hospital Regional Paulo Alemão com problemas respiratórios e encaminhada de emergência aérea pra a UTI do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, em 9 de junho.

Sem poder acompanhar pessoalmente, devido as medidas de prevenção à contaminação, desde então a família só soube dela por meio dos boletins informativos diários do hospital, divulgados todas as noites.

Segundo familiares, o teste rápido para o Covid-19 deu negativo nas duas primeiras tentativas. A constatação do vírus só foi confirmada por meio do teste SWAB que foi colhido aqui, mas que só deu o resultado pós o 5º dia de UTI. Ela foi entubada, sofreu paralização nos rins e parada cardíaca, vindo a óbito por volta da 12h30 de sexta-feira (19). A família foi comunicada as 20h daquele dia após presença de responsável com documentação em Várzea Grande.

Sem a possibilidade de realizar um velório, apenas a família e amigos próximos aguardaram em frente ao cemitério municipal. O translado do caixão lacrado chegou por volta das 13h15 de sábado (20) e a funerária foi direto para o sepultamento.

Devidamente vestidos com o EPI, os agentes funerários precisaram de ajuda pra carregar o caixão de dona Sônia até o túmulo. Com álcool gel, Jaqueline, esposa de Ari, distribuia a assepcia para todos os presentes, a todo momento.

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O pranto vinha no rosto de todos cada vez que alguém tentava proferir algo. Não foi possível ver dona Sônia pela última vez e o percurso de chegada ao sepultamento durou apenas cerca de 15 minutos,

Em homenagem, como forma de substituir o velório, os familiares vestiram camisetas brancas em alusão a paz e soltaram balões vermelhos como simbolo do amor, após uma oração.

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De acordo com Ari, Dona Sônia se cuidou bastante, já tinha o hábito de ficar em casa e só ia ao mercado devidamente protegida. Infelizmente a doença a alcançou e as condições de segurança, ainda que necessárias, amplificam a dor da perda e da mudança na despedida.

A realidade é essa, em Água Boa e diversas outras cidades do mundo. Nossos mais sinceros e profundos sentimentos a família de Ari e às demais famílias que tem enfrentado situações semelhantes.