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Teste é essencial para o controle da propagação do coronavírus. Por esse motivo, desde que começaram a flexibilizar a abertura das fronteiras, muitos países passaram a exigir dos visitantes o teste RT-PCR para a Covid-19. O exame deve ser realizado até 72 horas antes e apresentado na imigração, na chegada ao destino. Caso não apresente o teste, o viajante precisará fazê-lo e aguardar o resultado. Se ele der positivo para a Covid-19, terá de permanecer em quarentena por 14 dias e pagar as despesas do próprio bolso.

O teste PCR vem se somar aos documentos obrigatórios para o turista em viagem ao exterior, além do passaporte e do certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, também exigido em diversos países. Muitos destinos também passaram a exigir do turista um seguro-viagem com cobertura de despesas médico-hospitalares em caso de internação por conta da contaminação pelo novo coronavírus. Com essas medidas, eles esperam conter a propagação do vírus e proteger sua rede médico-hospitalar.

Neste momento em que o número de casos de coronavírus cresce em várias regiões do país, aumenta também o número de pessoas à procura de testes. Especialistas, no entanto, alertam sobre a qualidade do teste e a imprecisão de resultados. O exame apropriado para confirmar a doença é o chamado RT-PCR, que detecta as partículas virais. Os testes rápidos em farmácia, a partir da coleta do sangue do indivíduo, os chamados “sorológicos”, são eficazes apenas para detectar os anticorpos, mas apresentam imprecisões.

Segundo o infectologista Leandro Curi, os dois tipos de testes devem ser realizados em momentos diferentes. “O sorológico detecta se a pessoa tem anticorpos, mas não mostra infecções recentes”, explica Curi. É indicado para pessoas que tiveram sintomas da doença. Nesse caso, o resultado só é confiável se der positivo. Há, ainda, um terceiro teste, o antígeno, um meio-termo entre o sorológico e o PCR. “Os testes têm de 60% a 80% de sensibilidade, e não 100%”, afirma.

Segundo Curi, se o vírus estiver no período de incubação, até o PCR apresenta falha no resultado.

“Os testes são uma falsa sensação de segurança. O que garante segurança é obedecer aos protocolos: não abrir mão da máscara, usar álcool em gel para higienizar as mãos e manter o distanciamento de outras pessoas”, resume Leandro Curi.

Mundo

Dos 12 países vizinhos ao Brasil, na América do Sul, dez já abriram as fronteiras para os brasileiros. Desses destinos, oito exigem que a pessoa apresente um exame RT-PCR negativo para Covid-19. De cem países do mundo pesquisados para esta matéria, 81 também já implementaram a medida.

Entre os países que mais recentemente passaram a exigir o teste PCR estão o Japão, onde a norma entrou em vigor no dia 13, e os Estados Unidos. No caso do Japão, mesmo que o teste apresente resultado negativo, o turista será orientado a cumprir o autoisolamento de 14 dias. Nos Estados Unidos, a medida passa a valer no próximo dia 26. Companhias aéreas, por exemplo, estão obrigadas a impedir o embarque de passageiros que não possuam teste negativo ou que não comprovem que tenham se recuperado de uma infecção.

No Brasil, a obrigatoriedade de teste RT-PCR para os passageiros que embarcarem no país, brasileiros ou estrangeiros, independentemente de sua origem, começou a vigorar no dia 30 de dezembro do ano passado. Os visitantes também precisarão preencher uma Declaração de Saúde do Viajante (DSV) e apresentar o e-mail de comprovação de preenchimento. Crianças menores de 2 anos estão dispensadas de apresentar o teste, assim como as crianças entre 2 e 12 anos, desde que seus acompanhantes cumpram todas as exigências.

Sobre a exigência do teste RT-PCR por diversos países do mundo, o infectologista Leandro Curi entende que a medida é uma estratégia de controle. “É mais uma tentativa de minimizar o contágio, mas que não está livre de falhas”, alerta. Segundo Curi, mesmo depois de recuperado de uma infecção, o organismo da pessoa pode continuar a apresentar o novo coronavírus por mais de um mês. “O indivíduo não transmite mais o vírus, mas, assim mesmo, o teste continuará a dar positivo”, afirma.

Aeroportos

A exigência do teste RT-PCR levou os terminais aeroportuários brasileiros a facilitar a vida dos viajantes. Guarulhos e Belo Horizonte são as duas cidades já dotadas de unidades de testagem de Covid-19 no Brasil. 

O primeiro laboratório foi aberto em setembro, no terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos, que recebe voos internacionais, e é uma parceria com a rede CR Diagnósticos. O segundo foi instalado em dezembro, no desembarque 1 do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, em parceria com o laboratório Hermes Pardini.

Em ambas as unidades, os testes podem ser agendados pelo site, e a coleta do material do nariz e da garganta é feito com haste flexível, sem necessidade de pedido médico. O exame custa R$ 350, e o resultado é entregue em até quatro horas. O laudo é disponibilizado em dois idiomas – português e inglês –, podendo ser acessado por aplicativos.

“Os testes RT-PCR, considerados padrão ouro para detectar o coronavírus, têm finalidade analítica e sensibilidade em torno de 60%”, explica Melissa Bianchetti Valentini, assessora médica do Grupo Hermes Pardini. Por esse motivo, salienta a médica infectologista, ele precisa ser repetido em caso de resultado falso-positivo.

“O ideal é fazer o teste de três a cinco dias após os primeiros sintomas, porque senão a pessoa pode testar positivo, mas não estar mais transmitindo o vírus”, explica. Nas unidades do Hermes Pardini, a procura por testes de Covid-19 cresceu 30% desde novembro.

Onde fazer o teste

Para identificar as infecções causadas pelo novo coronavírus, dois tipos de teste são os mais usados: os sorológicos (que detectam os anticorpos produzidos pelo organismo em resposta a uma infecção) e o molecular (RT-PCR), que detecta genes do vírus, sendo por isso mais específico. Para as viagens internacionais, apenas este último é aceito na maioria dos países, por conta da precisão nos resultados, e deve ser realizado até 72 horas antes do embarque. 

O teste RT-PCR é considerado o exame laboratorial padrão ouro para o diagnóstico da infecção. Ele é feito por meio de coleta de secreções respiratórias por swab (cotonete). O melhor momento para a coleta é na primeira semana de sintomas, sendo o período ideal entre o terceiro e o quinto dia. Mas o exame pode constatar a presença do vírus, em média, até o 14º dia, mesmo em pacientes assintomáticos. Por isso, nos primeiros dias de infecção, ele é o mais indicado.

Se o resultado der negativo e as suspeitas continuarem, recomenda-se a repetição desse teste. Os testes sorológicos surgem como uma alternativa, porém, como a maior sensibilidade desse exame é após o 20º dia do início dos sintomas, quando são positivos, a pessoa geralmente já não está mais na fase de transmissão.