Foto: Gwo Wei 2016 | XinhuaFoto: Gwo Wei 2016 | Xinhua

A China cumpriu o prometido e fez uma demonstração de força militar contra Taiwan no dia em que uma alta autoridade americana se encontrou com a presidente da ilha que considera parte de seu território.

Nada menos que 18 aviões militares chineses voaram em direção a Taiwan, 2 deles bombardeiros H6K e o restante caças J-10, J-11 e J-16, obrigando a Força Aérea de Taipé a reagir.

A informação foi dada pela própria Aeronáutica da ilha. "Enviamos caças e empregamos sistemas de defesa antiaérea", afirmou, no Twitter. Foram ao menos 17 decolagens taiwanesas, segundo a imprensa local.

A frota chinesa ultrapassou a linha divisória no estreito de Taiwan, considerada a fronteira informal entre os países, mas não entrou no espaço aéreo formal da ilha. Foi a maior ação do gênero nos últimos anos.

Não houve incidentes, embora sempre haja o risco de uma interceptação acabar em colisão ou mesmo em um confronto não programado. Taiwan opera principalmente caças F-16, de fabricação americana.

A ação de Pequim ocorreu no dia em que Keith Krach, subsecretário de Assuntos Econômicos do Departamento de Estado, encontrou-se com a presidente Tsai Ing-wen.

Na quinta (17), quando ele desembarcou na ilha, os chineses haviam advertido os EUA que iriam tomar as "medidas necessárias" devido ao que consideram um ato diplomático inaceitável.

Karch, Tsai e Morris Chang, fundador da fabricante de chips TSMC, em encontro nesta sexta,

 o que implicitamente significa aceitar Taiwan parte dela, mas na prática mantém uma política de apoio militar e político ao governo do território — baseado nas forças derrotadas pelos comunistas no continente em 1949.

Só que anos de ambiguidade, visando manter boas relações com Pequim, foram substituídos por uma assertividade maior no suporte a Taipé pelo governo de Donald Trump.

A ilha virou mais um item da Guerra Fria 2.0 do presidente americano, que inclui de disputas comerciais e tecnológicas ao questionamento da soberania proclamada por Pequim no mar do Sul da China e da lei de segurança nacional em Hong Kong.

Aviões espiões dos EUA costumam voar na região. A rota de confronto também atende a interesses mais imediatos, que é o de mostrar um Trump durão ao eleitorado no pleito presidencial de novembro.

Karch também participará no sábado (19) de cerimônia fúnebre em homenagem ao presidente Lee Teng-hui, considerado o homem que trouxe a democracia a Taiwan.

"Enviamos uma delegação a um funeral, e os chineses responderam com barulho militar", disse seu chefe, o secretário Mike Pompeo, em viagem à Guiana.

Pompeo sabe que Karch não está lá só para isso. Ele visa alinhavar termos de um acordo comercial bilateral.

Nesta sexta, o encontro com Tsai teve a presença de Morris Chang, fundador da maior fabricante de chips avançados do mundo, a taiwanesa TSMC. A empresa foi proibida pelo governo Trump de fornecer à gigante chinesa Huawei, que os EUA querem tirar do domínio do mercado de tecnologia 5G.

Segundo relatos, Karch também poderá adiantar termos de um acordo de venda de armamentos sofisticados na casa dos US$ 7 bilhões (R$ 37 bilhões nesta sexta).

Mais do que ser um garantidor presumido da defesa de Taiwan em caso de invasão chinesa, os EUA têm armado fortemente Taipé contra a hipótese —vista como improvável porque encerraria riscos grandes a Pequim, mas não descartada pelo governo chinês.

Um termômetro da disposição é o Global Times, um tabloide nacionalista estatal em inglês. Seu editor, Hu Xijin, defendeu no microblog Weibo os recentes exercícios militares chineses como uma preparação para atacar Taiwan "se isso for necessário".

"Se os secretários de Estado ou de Defesa visitarem Taiwan, caças do Exército de Libertação Popular devem voar sobre a ilha e se exercitar lá", afirmou, dando a dica sobre a linha vermelha em Pequim.

A China defendeu o evnio dos aviões. "É uma ação razoável e necessária direcionada a situação no estreito de Taiwan e à proteção territorial nacional", disse o porta-voz do ministério da defesa , Ren Guoqiang, a repórteres.

Em agosto, o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, visitou Taipé. Foi a mais alta autoridade americana na ilha desde 1979. Os chineses protestaram e ameaçaram militarmente o governo local.

Os chineses também se queixaram de um almoço em Nova York entre a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas e o enviado de Taiwan à organização.