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Moradores do arquipélago de Bougainville, no Pacífico, decidem a partir deste sábado (23) se querem se tornar independentes da Papua-Nova Guiné e formar o mais novo país do mundo.

A votação só termina em 7 de dezembro, mas pesquisas de opinião indicam vitória da independência, segundo o jornal britânico "The Guardian".

Cerca de 207 mil pessoas têm direito a voto, de acordo com a BBC. O referendo dará, ainda, a opção de Bougainville continuar dependente da Papua-Nova Guiné, mas com maior autonomia. A questão é se o governo papuásio aceitará o resultado das urnas (entenda mais adiante por quê).

Se os eleitores confirmarem o voto a favor da independência — e a Papua-Nova Guiné aceitar —, Bougainville se torna mais um país no mundo. Atualmente, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece 193 estados soberanos. O mais recente a entrar na lista é o Sudão do Sul, que conquistou independência em 2011.

Em área (9.384 km²), Bougainville estaria entre os menores países do mundo. Ainda assim, seria um país quase do tamanho do Líbano, relevante politicamente no Oriente Médio. A população de pouco menos de 300 mil habitantes colocaria o novo estado soberano no patamar de outros no Pacífico, como Vanuatu e Samoa.

Conflito com Papua-Nova Guiné

O movimento pela independência do arquipélago começou ainda na década de 1960 — antes mesmo de a Papua-Nova Guiné se separar da Austrália, o que ocorreu em 1975. O separatismo, porém, intensificou-em 1988, por uma disputa em uma mina de ouro e cobre localizada no centro da maior ilha de Bougainville.

De acordo com reportagem do "Guardian", moradores do arquipélago alegavam que não era justo que a maior parte dos recursos produzidos na mina fossem levados à Papua-Nova Guiné. Houve protestos, e o governo papuásio deslocou policiais e militares para conter os manifestantes — que fundaram o Exército Revolucionário de Bougainville e deram início a uma guerra civil.

No conflito, que se estendeu até 1997, mais de 20 mil pessoas morreram. Isso equivale a cerca de 10% da população de Bougainville à época. Três anos mais tarde, um acordo de paz determinou que 2020 seria o prazo para um referendo sobre a independência do território autônomo.

Em outubro, o primeiro-ministro da Papua-Nova Guiné, James Marape, parabenizou a iniciativa do referendo, mas disse que a votação "não é vinculante" — ou seja, o governo poderia simplesmente rejeitar o resultado.

Por isso, observadores internacionais temem que uma negativa do governo papuásio reacenda uma guerra local que deixou milhares de mortos.

A Austrália, de acordo com a BBC, declarou que "respeitará o que for negociado". O país mediou as tratativas de paz entre Bougainville e Papua-Nova Guiné, mas independentistas creem que o governo australiano é contra a separação dos dois países.