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Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução A morte de quatro crianças do interior de Mato Grosso, sendo três recém-nascidas e um bebê, no mês de abril, expõe um problema antigo: a falta de leitos públicos e privados de UTI Neonatal.

Além disso, o   apurou que, desde julho de 2017, o número não aumenta. São 78 unidades em todo o Estado, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Pouco mais da metade, 44 delas, está instalada na Capital.

Mesmo com os leitos da rede privada, o quadro tem se revelado insuficiente para atender a urgente demanda de recém-nascidos que não resistem à espera de uma vaga.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) não possui dados de déficit de leitos, mas reconheceu a falta em diversas notas divulgadas à imprensa relacionadas às mortes.

No Estado inteiro, só Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sorriso dispõem de leitos Neonatal do SUS.

Veja lista de hospitais que prestam o serviço

Foto: ReproduçãoFoto: Reprodução

Quadro mostra que no Pronto-Socorro de Cuiabá são somente 3 leitos. O Hospital Santa Helena - maternidade de referência pelo SUS - é que tem mais: 18

Déficit

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece um parâmetro ideal de quatro leitos UTIs para cada grupo de mil nascidos vivos. No país, a instituição identificou que o déficit é de 3.305 leitos de UTI. Especialistas apontam que a quantidade existente está abaixo do preconizado.

Com dados relativos a dezembro de 2017, a SBP estima um déficit de 22 leitos de UTI Neonatal, em Mato Grosso, para o mesmo ano. O número faz parte de um levantamento feito pela instituição para pesquisa Nascimento Seguro. Desde então, o SUS não avançou. A rede privada sim: conseguiu aumentar para 26.

Por isso, se considerado o número de leitos atuais da rede pública e privada, Mato Grosso supera o parâmetro definido pela SPB. Contudo, a matemática pode indicar uma falsa realidade. Isto por que os números não refletem o cotidiano vivido pelos médicos do Estado.

A pediatra Maria de Fátima, que atua no Hospital Universitário Julio Muller (HUJM), diz sentir na pele a escassez de leitos de UTI no Estado. “Todos estão trabalhando na capacidade máxima”, afirma. A médica revela que as unidades veem tendo dificuldade muito grande de encaminhar recém-nascidos de patologias cirúrgicas (fetos que nascem com deformação em algum órgão).

“Uma grande demanda por gestações de alto risco, que vêm do Estado inteiro. Uma dificuldade muito grande de atendimento. Muitas vezes, o número de crianças internadas é acima do que estamos preparados para atender”, constata.

Diretor do Hospital Santa Helena, o médico Marcelo Sandrin destaca: "Nós estamos aqui lotados com o nosso próprio atendimento". Ele pontua que não há mais maternidades atendendo no interior do Estado. Por isso, as unidades da Capital acabam por assistir a demanda toda.

O Santa Helena é referência, do SUS, em atendimento a crianças prematuras.

“Nossa UTI Neonatal está muito lotada. O problema é que está faltando mesmo. Pretendemos aumentar. Mas aí depende das negociações fora do nosso alcance”, revela.

Segundo membro do SBP, a neonatologista Maria Albertina Rego, o número de UTIs Neonatal só será suficiente se houver outros leitos de retaguarda de cuidados intermediários, entre a UTI Neonatal e a enfermaria. “Muitos não trabalham dessa forma”, comenta.

O Ministério da Saúde define que a área de cuidados do prematuro e recém-nascido se divide em três unidades: a de terapia intensiva, de cuidados intermediários convencionais e de cuidados intermediários canguru.

A neonatologista assegura que, à medida que o paciente melhora, ele pode progredir para outras alas. "Se o menino ficar em cuidado intensivo até receber alta, ele ocupa espaço na UTI sem precisar mais", explica. No Estado inteiro, são somente 41 leitos para intermediário convencional e 21 para intermediário canguru frente aos 285 da UTI, segundo dados do CNES.

Segundo a especialista, é necessário regionalizar os leitos de UTI pelo Estado de Mato Grosso. "O número de leitos é importante. Mas a distribuição deles pelo Estado é o que faz a diferença. No Brasil não tem regionalização", confirma. "O Governo poderia investir em hospitais já existentes e de baixa tecnologia para transformá-los em alta. Até isso acontecer, demora um pouco. Mas se quer, a coisa acontece", pontua.

A SES informa que, desde o início da nova gestão, atua junto aos demais entes públicos para tratar especificamente da habilitação de novos leitos de UTI Neonatal e Pediátrica. Segundo a pasta, o Estado precisa regularizar a situação dos leitos existentes nos municípios. Somente após isso poderá fazer uma projeção de novos.

"Para funcionarem, os serviços de alta complexidade requerem prazo razoável e investimento financeiro em novos equipamentos, em contratação de profissionais específicos e em habilitação técnica por parte do Ministério da Saúde", diz trecho de nota da SES.

Segundo o Ministério da Saúde, a habilitação de novos leitos deve ser solicitada pelos gestores locais. Mas os gestores estaduais e municipais também têm autonomia para ampliar o número de UTIs com recursos próprios. “A habilitação de leitos pelo MS assegura recursos adicionais para o custeio do serviço”, informa o Governo Federal.