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ReproduçãoReprodução

O ex-presidente Lula foi solto às 17:34 desta sexta-feira da sede da Polícia Federal em Curitiba. O juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, determinou a soltura do petista, acatando pedido da defesa que levou em consideração a determinação de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, os ministros da corte decidiram por 6x5 pela insconstitucionalidade da prisão em segunda instância.

Ao sair do prédio, Lula foi acompanhado por apoiadores e por colegas de partido. Policiais não acompanharam o petista. Desde hoje pela manhã, um grupo de apoiadores do ex-presidente se concentrou em frente ao local, soltando fogos e entoando gritos de apoio. A Polícia Militar estimou que cerca de 2 mil pessoas estavam aguardando a saída do ex-presidente. 

Lula estava preso em uma sala especial na carceiragem da sede da PF há 580 dias. O ex-presidente foi condenado em primeira instância pelo então juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, por ter recebido um triplex no Guarujá como propina da construtora OAS, em troca de favores para a empresa no relacionamento com a Petrobras. Porém, o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) aumentou a pena do ex-presidente para 12 anos e um mês. A pena foi reduzida em abril deste ano para 8 anos, 10 meses e 20 dias pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Ainda na Lava-Jato, Lula foi condenado pela juíza substituta de Moro, Gabriela Hardt no caso do Sítio de Atibaia. A defesa recorreu a pena de 12 anos e 11 meses. A ação ainda não foi julgada pelo TRF-4.

Ex-ministro José Dirceu

O ex-ministro José Dirceu deixou a prisão na noite desta sexta-feira (8), após determinação da Justiça do Paraná. A decisão é da juíza Ana Carolina Bartolamei Ramos, da 1ª Vara de Execuções Penais de Curitiba.

"No presente caso, restou observado que não há trânsito em julgado da condenação, tal como que esta teve início exclusivamente em virtude da confirmação da sentença condenatória em segundo grau, não existindo qualquer outro fundamento fático para o início do cumprimento da pena, até porque houve a substituição das prisões preventivas decretadas em desfavor do executado", diz trecho da decisão.

A defesa do ex-ministro havia feito o pedido de soltura primeiro para a Justiça Federal, na manhã desta sexta.

Em um primeiro despacho, o juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Criminal Federal de Curitiba, havia pedido que o Ministério Público Federal (MPF) se manifestasse sobre a solicitação da defesa por causa de um pedido de prisão preventiva expedido em março de 2017 que não foi rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

A defesa de José Dirceu contestou a decisão do juiz federal. Os advogados do ex-ministros alegaram que um habeas corpus julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a ordem de prisão cautelar contra Dirceu.

Em novo despacho, também nesta sexta, o juiz federal reconsiderou a decisão sobre a prisão preventiva, mas declinou competência para decidir sobre a soltura e encaminhou para a 1ª Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba.

Nessa decisão, o próprio juiz informou que a defesa de José Dirceu também havia pedido a liberdade do ex-ministro à Justiça estadual.

Dirceu estava preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, desde maio deste ano.

O ex-ministro tem duas condenações na Operação Lava Jato. No primeiro processo, ele foi condenado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, em maio de 2016.

O ex-ministro ficou preso em Curitiba entre agosto de 2015, quando foi deflagrada a 17ª fase da Lava Jato, e maio de 2017.

O STF concedeu a ele um habeas corpus e o direito de aguardar o julgamento dos recursos desse processo com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Em 2018, depois que os recursos foram julgados, Dirceu voltou à prisão. Ele foi solto novamente em junho de 2018, após uma determinação da Segunda Turma do STF, que considerou que ele deveria aguardar em liberdade até que os recursos fossem julgados pelo STJ.

Dirceu também foi por corrupção e lavagem de dinheiro, em maio de 2017, em um processo que investigou recebimento de propina em um contrato com a empresa Apolo Tubulars para o fornecimento de tubos para a Petrobras, entre 2009 e 2012. Ele foi preso por essa condenação em maio deste ano.

Ex-governador Eduardo Azeredo

O ex-governador de Minas Eduardo Azeredo, preso desde maio do ano passado, foi solto no início da noite desta sexta-feira (8). O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) concedeu nesta tarde o alvará de soltura. A decisão se baseou no Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou nesta quinta-feira (7) a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, alterando um entendimento adotado desde 2016.

Azeredo foi preso após condenação em segunda instância no TJMG no processo do mensalão tucano em Minas.

A maioria dos ministros do Supremo entendeu que, segundo a Constituição, ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado (fase em que não cabe mais recurso) e que a execução provisória da pena fere o princípio da presunção de inocência.

Em sua decisão, o juiz Marcelo Augusto Lucas Pereira disse que "a execução da pena, como dito, é provisória. Ademais, durante toda a marcha processual, o seu direito à liberdade foi resguardado. Nesse contexto, a espécie encaixa-se perfeitamente aos limites do julgado pelo STF".

Azeredo foi condenado em segunda instância a 20 anos e um mês de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, em agosto de 2017. A condenação em primeira instância foi em 2015.

Ele estava detido na sede do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros, localizado no bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Em maio deste ano, depois de um ano preso, Azeredo foi desfiliado do PSDB. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), a desfiliação foi pedida pelo próprio ex-governador. Segundo a Justiça eleitoral, ele fez parte do partido por mais de 30 anos (entre 1988 e 2019).

Quem mais pode ser solto?

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derruba o encarceramento após condenação em segunda instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve sua soltura determinada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, nesta sexta-feira. Contudo, o petista não é o único preso a se beneficiar.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de Lula, o julgamento no Supremo prevê que 4.895 presos possam sair da prisão. Entre os condenados na Lava Jato estão 38 presos que têm chances de deixar a cadeia, de acordo com o Ministério Público Federal.

Entre os réus, a lista de quem também pode ir para casa inclui Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro José Dirceu, que já foi solto pela Justiça. O empresário José Adelmário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro, da OEA, que atualmente cumpre prisão domiciliar, é outro que pode ser privilegiado.

Entretanto, nem todos os que estão na prisão após condenação em segunda instância poderão sair. Com o voto de desempate do presidente do STF, Dias Toffoli, que foi contra a norma vigente, agora só haverá prisão quando acabarem as possibilidades de recurso.

Este entendimento abrange os presos que tiveram antecipação da pena, mas não poderão abrir caminho para a soltura dos que estão em prisão temporária ou preventiva.

É o caso do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB). Apesar de ter sido condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), ele cumpre prisão preventiva desde outubro de 2016 por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Assim como a de Lula, a prisão de Cunha também foi decretada pelo ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro.

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB) está em situação parecida à do ex-presidente da Câmara. Preso desde novembro de 2016, no ano passado, ele passou a cumprir pena em 2ª instância. Moro decretou a prisão do do emedebista para execução provisória da pena em setembro, em substituição à prisão preventiva decretada dois anos antes. Ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A mudança de entendimento do Supremo sobre as prisões após condenação em 2ª instância não impede que juízes decretem prisões preventivas em casos excepcionais, como ameaça à ordem pública ou ao aprofundamento das investigações. Mesmo deixando a prisão, Lula, portanto, pode voltar à cadeia se tiver uma prisão preventiva decretada.

Veja quem mais pode ser solto após decisão do STF

  • Luiz Eduardo de Oliveira e Silva - irmão de José Dirceu
  • Waldomiro de Oliveira - funcionário de Alberto Youssef
  • Márcio Andrade Bonilho - sócio da Sanko Sider
  • Jayme Alves de Oliveira Filho - agente da Polícia Federal
  • Gerson de Mello Almada - ex-vice-presidente da Engevix
  • Rogerio Cunha Oliveira - ex-diretor da Mendes Junior
  • Sergio Cunha Mendes - ex-vice-presidente da Mendes Junior
  • Enivaldo Quadrado - dono da corretora Bônus Banval
  • Alberto Elisio Vilaça Gomes - ex-diretor de Mendes Junior
  • João Augusto Rezende Henriques - lobista / operador do PMDB
  • Fernando Moura - empresário / lobista
  • Roberto Gonçalves - ex-gerente de engenharia da Petrobras
  • Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos - ex-gerente de área internacional da Petrobras