DivulgaçãoDivulgaçãoEm uma performance na abertura do 35º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, na última terça-feira, o artista fluminense Wagner Schwartz se apresentou nu, no centro de um tablado. Em vídeo que circula nas redes sociais, sob fortes críticas, uma menina que aparenta ter cerca de quatro anos aparece interagindo com o homem, que estava deitado de barriga para cima, com a genitália à mostra.

Na performance, intitulada La Bête, Schwartz emula um dos Bichos de Lygia Clark, as esculturas de alumínio com várias dobradiças que podem ser manipuladas pelo público. O artista se posiciona completamente nu em uma espécie de tatame e, então, pode ser manipulado pelos espectadores. A menina toca na canela e nos pés de Schwartz e depois sai engatinhando do espaço, e volta a assistir à performance. Ela está acompanhada de uma mulher adulta – segundo o MAM, sua mãe. Por atenção ao Estatuto da Criança e do Adolescente, o vídeo não foi publicado aqui.

A performance já foi apresentada anteriormente. Nas redes sociais, há registros de uma apresentação em Salvador, no Goethe-Institut, em que uma outra criança (uma menina um pouco mais velha) também interage com o artista, tocando sua cabeça.

Ministério Público

DivulgaçãoDivulgaçãoO Ministério Público de São Paulo abriu nesta sexta-feira um inquérito civil para apurar denúncias relacionadas à mostra “35ª Panorama da Arte Brasileira – 2017” do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). As denúncias surgiram após a veiculação de vídeos nas redes sociais que mostram a performance do artista fluminense Wagner Schwartz.

Na apresentação, Wagner Schwartz fica deitado nu em um tatame e o público pode mexer em seus braços, pernas e no restante do corpo para alterar sua posição. Os vídeos que detonaram a polêmica mostravam uma menina, que estava acompanhada da mãe, interagindo com o homem.

De acordo com as denúncias recebidas pelo Ministério Público, o museu “estaria expondo crianças e adolescentes a conteúdo impróprio, uma vez que um homem estaria pousando totalmente sem roupa e o público seria convidado a tocá-lo, inclusive crianças”.

O promotor de Justiça Eduardo solicita que o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça elabore um parecer obre a classificação indicativa e informações sobre a referida mostra, além de esclarecimentos sobre o critério de classificação etária.

O promotor também pediu que Youtube e Facebook removam os conteúdos que veiculam imagens de crianças e adolescentes na mostra.

Repúdio de associação artista

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Depois da revolta em torno de uma performance no MAM de São Paulo na qual uma garotinha tocou em um homem nu, a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) enviou à imprensa uma nota repudiando a tentativa de “cerceamento de liberdade de expressão artística” no Brasil. “Frente ao que vem ocorrendo no campo das artes visuais em alguns estados do Brasil em termos de censura, a diretoria da ABCA está divulgando uma posição da associação”, escreveu a presidente da entidade, Maria Amelia Bulhões, em um e-mail.

A nota não cita exemplos, mas é divulgada à luz de outros episódios recentes. Um juiz de Jundiaí proibiu apresentações da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, com Jesus Cristo como travesti. Em Porto Alegre, a mostra Queermuseu – Cartografias da Diferença da Arte Brasileira foi cancelada após protestos, por conter obras que fazem referência, por exemplo, à zoofilia.