Pichetti Rui Vilani  Inez Trentin Zandoná    Outros

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Por incrível que pareça, a criança, em sua essência, sempre exprime aquilo que realmente ela pensa...e quando suas palavras são proferidas, ali não existe meio termo, pau é pau, pedra é pedra...ela pra dizer na sua cara que você é feio, bonito, velho, novo, mau ou bom, não mede consequência, até mesmo porque ela nem sabe o que é consequência...

É daqui pra li, diferentemente de um adulto que muitas vezes por educação se recusa a falar frente a frente ou na lata como queiram, que uma pessoa é antipática, ou que alguém é sem educação, sem modos ou simplesmente inconveniente e ridícula... na criança a coisa é bem diferente... são francas e não estão nem ai para a paçoca.  Atiram pra tudo que é canto, sem saber se vai magoar ou não.

Muitas vezes colocam suas mães em situações melindrosas ou de calça justa... me lembro bem de uma passagem, em que tinha morrido nosso vizinho, o senhor Mauro, um homem bem conhecido e de muito respeito em nossas redondezas. Naquela época, o corpo era velado na casa do morto.

No momento do sepultamento, a exemplo do que se faz hoje, fazia-se um cortejo, com vários carros perfilados, e também alguns caminhões, que a exemplo do pau de arara, transportava várias pessoas, sentadas em bancos em sua carroceria.

Na ocasião, no meio do povão que ali se reunia, uma criança chamada Darci, começou a dar um chilique, querendo ir com a galera no caminhão... Sua mãe, que não ia junto, não a deixou ir de forma nenhuma... quanto mais a Darci esperneava, mais a mãe dela afirmava que ela não ia... quando a criança Darci viu que a coisa não fluía de jeito nenhum, gritou em alto e bom som, na presença de todos... No enterro do seu Mauro eu não vou, mas quando o senhor Manoel morrer eu vou!

Seu Manoel era um outro senhor idoso, bem vivo, que nem doente estava, inclusive estava presente e ouviu as palavras da criança Darci.

Vejam que a criança, falou isso sem malícia nenhuma e não foi para constranger ninguém, simplesmente porque foi honesta sem medir o tamanho da gafe, a ninguém... foi uma situação hilária e sem precedentes, num lugar impróprio para aquilo, mas... criança é criança.

Para arrematar essa nossa crônica, é bom destacar, que quando falamos aqui em criança, são aquelas menores de cinco anos, porque aquelas maiores que isso, já entendem muito bem e estão suficientemente maduras, para entender e falar tudo ...isso na época de hoje.