Pichetti Rui Vilani  Inez Trentin Zandoná    Outros

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Quem nunca preencheu uma planilha errado, trocou mercadorias no estoque, esqueceu um cliente esperando ou deu pane no equipamento da empresa, que atire a primeira pedra!

Erros no trabalho são comuns, tanto para quem está recente em uma função, quanto para quem já esta careca de saber os procedimentos, mas acaba deixando o excesso de confiança sobrepor o check list.

Erros podem ser corrigidos, tolerados e até perdoados, mas é consequente que a recorrência deles pode gerar prejuizos e desgaste da empresa com fornecedores e clientes, sendo muito importante que a gestão consiga minimizá-los e repará-los antes que cheguem ao ponto fatal.

Independente do tipo de trabalho, é reconhecido pela teoria empresarial que o ambiente profissional é um organismo vivo, estando sujeito a interferências físicas e emocionais de suas "células" colaboradoras.

Não precisamos nem citar problemas graves de um ambiente como assédio moral, condições insalubres, remuneração punitiva ou jornadas excessivas de trabalho sobre os funcionários, pois partimos da premissa que falamos de uma empresa, no mínimo, séria e que alcança bom desempenho no mercado.

No entanto, até mesmo a boa empresa tem altos e baixos em sua administração, deixando passar, algumas vezes, detalhes que são "a graxa da engrenagem" ou "a tinta do carimbo" ou melhor, "o copinho do café", para quem curte analogias, na busca pela harmonia e a excelência empresarial.

As soluções são simples e envolvem mais o emocional que o laboral, propriamente dito. Equipamento de qualidade e treinamento sólido são fundamentais, mas então por que persistem os erros? Provavelmente seja a comunicação!

Como assim? Meus colaboradores conversam e interagem pessoalmente em reuniões periódicas e por meio de sistemas e aplicativos a todo o momento! Ok, mas como é a qualidade dessa comunicação?

Por exemplo, em muitos setores seguimentados, os profissionais com mais tempo não tem paciência de instruir os mais novos na função adjacente, passando informações incompletas e adotando uma postura que não permite questionamentos. Geralmente os novos procedem com tentativas incertas, torcendo para que estejam no caminho certo.

Em outros casos, ofícios que precisam de concentração e raciocínio como criação de projetos ou montagem de planilhas ou ainda cadastros de dados em sistemas que envolvem colaboração de outros setores, não deveriam ser interrompidos constantemente por colegas ou telefonemas, nem ficar próximos de espaços com barulho e distração visual.

Nesses casos um zero a mais ou a menos, por exemplo, pode enviar 900 produtos fora do que foi requisitado, trocar o ingrediente solicitado ou errar o valor cobrado. Lembra do sinal de + e de - nas aulas de matemática? Parecia um simples sinal, mas na prática eram muitos graus ou quilômetros de distância.

Outro detalhe que os gestores mais atentos em departamentos de sucesso fazem é combinar o perfil empatico dos trabalhadores para evitar desentendimentos entre aqueles muito extrovertidos, daqueles mais fechados, dos mais sarcasticos com os mai sensíveis, estando alertas para o tratamento interpessoal e possíveis alterações de comportamento, mantendo sempre um clima neutro, motivacional, de respeito e sem excessos, evitando que se desenvolvam relacionamentos tóxicos.

Ainda sobre os perfis de colaboradores, também é inteligente que os gestores observem esses comportamentos como indicadores de posição no time corporativo. Ou seja, aqueles que tem um bom relacionamento com pessoas geralmente são colocados em contato direto com os clientes, enquanto aqueles mais introvertidos e centrados em resolver quebra-cabeças, nas planilhas.

Por outro lado, seguir cartilhas muito à risca também pode engessar, robotizar e estressar os trabalhadores, gerando um ambiente artificialmente saudável, mas falso, em que os verdadeiros sentimentos são escondidos e disfarçados, até explodirem em um grande tropeço de execução. Mas então para onde correr?

Acontece que o gestor precisa estar presente, distribuir as funções entre os perfis mais adequados, criar condições estáveis de produtividade, estar ciente sobre as atividades sem incomodar no processo e saber onde e quando pressionar, descontrair ou motivar cada personagem de seu elenco, corrigindo os desvios e não caindo na persistência dos mesmos erros.

Por fim, é notório que gerir pessoas é uma ciência, mas principalmente, uma arte e na constante busca pelos 365 dias sem erros, muitos detalhes fazem parte da equação. Não existe fórmula pétrea para o sucesso, sendo preciso jogo de cintura e realinhamento constante da equipe, afinal, tudo depende de estabiluzar a instabilidade humana.