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Por meio de uma pesquisa na internet o Site Notícias do Araguaia encontrou um blog antigo da Escola Estadual Antônio Gröhs, sem autoria, sem mais conteúdos ou fotos além de uma publicação extensa datada de 27 de junho de 2012. Como o blog parece há tempos abandonado, decidimos reproduzir o conteúdo em nosso site para fins de resgate e reativação da história de Água Boa.

Veja o texto do autor desconhecido na íntegra:

A ESCOLA ESCOLA MUNICIPAL 1º DE ABRIL Chegando em Água Boa, em julho de 1975, os agricultores depararam-se com uma dura realidade a escola que estava prevista no Projeto de Colonização Água Boa I, sequer tinha seu terreno desmatado. Crianças e jovens em idade escolar ficaram sem aulas naquele semestre.

E vendo iniciar-se um novo ano, sem que tivesse sido construída escola, alguns pais inquietaram –se com a situação e reuniram-se na casa do Sr. Pedro Ross e outra vez no posto de gasolina do Sr José Elmo Kuhn (só no posto havia motor estacionário p/ gerar energia elétrica e fazer reunião a noite) decidiram desmatar (isto é, abriram uma clareira no terreno reservado para escola na rua 07 quadra... e no mês de março de 1976, fizeram um mutirão entre pais e futuros alunos para construir a escola, cada um trazia suas ferramentas e seu conhecimento e juntos fizeram uma sala de aula.

Enquanto uns desmatavam com trator, outros preparavam o terreno manualmente. Participaram do mutirão de construção, entre outros, o Sr Frederico Ernesto Carlos Muller, Sr Ari Loga Gunsch, Antonio Gröhs, Herculano Lorenzon, Ivan Seibel, Balduino Göeller, Alcides Peters, Celso e Antoninho Stafen, Nicleto Sbrussi, Walter Scherer e os filhos destas famílias. E o professor Lauro Feldmann, que viera de Ivoti- RS.

Professor Lauro Feldmann fora convidado a vir à Água Boa, pelo NAC (projeto da IECLB sobre Novas Áreas de Colonização), através do pastor Artênio Spellmeyer, que convidara um grupo de cinco alunos de teologia para trabalhar na área educacional dos projetos de colonização.

Viriam três alunos para o projeto Canarana e dois para o projeto Água Boa, porém os demais alunos desistiram e somente Lauro Feldmann viajou para MT.

Chegando em Barra do Garças em 16/03/76, veio de avião”VACA” (Viação Aérea Canarana). Havia uma linha com vôo semanal de Tenente Portela (RS) à Barra do Garças MT. Professor Lauro foi acolhido em Barra do Garças, pelo pastor .....Dois dias após, chegava em Água Boa ,cheio de entusiasmo para dar aulas.

E deparou-se com a dura realidade de não ter escola. Haviam apenas iniciado o desmatamento do local . E ao invés de trabalhar com giz e caneta o professor utilizou machado, facão, pregos e martelo para construir junto com pais e alunos uma escola.

A sala de aula de aproximadamente 8x8m, tinha apenas as paredes com madeiras usadas, cedidas pela Coopercol (Cooperativa de Colonização, que não estava mais atuando) Não havia recursos para fazer piso, telhado, energia elétrica. Não havia água. Os alunos traziam de casa água para beber e os pais buscavam de trator no córrego, água em um tonel, que servia para a limpeza.

Não havia sanitários, apenas uma latrina feita de tábuas, no fundo do lote. Os demais lotes e quadras ao redor, permaneceram sem desmate por muito tempo. Neste período de construção o professor Lauro Feldmann foi a Barra do Garças para organizar a documentação junto a Secretaria de Educação do Município.

A escola foi inscrita como sendo seu endereço na fazenda do Sr José Elmo e Geneci Bartz Kuhn porque a localidade de Água Boa não era reconhecida, nem sequer como vila, na época.

Após o encaminhamento da documentação inicial, a secretaria municipal de educação de Barra do Garças autorizou o funcionamento da escola, para tal precisava de um nome. Qual?

Os pais decidiram que seria dado o nome do primeiro dia de aula, como marco histórico de sua luta. E concluíram a construção das paredes no dia 31 de março, bem como o professor Lauro chegara de Barra do Garças, após uma viagem de dois dias por ser estrada de terra em temporada de chuvas. Ele trouxera materiais didáticos: Diários de classe, giz, apagador, fichas individuais e boletins, alguns cadernos e lápis.

Não havia distribuição gratuita de livros. Não haviam carteiras e cadeiras para os alunos. Eles improvisaram bancos com tijolos e tábuas e apoiavam os cadernos no colo para escrever. Por não haver telhado ainda, a aula começava as 6:30 h até 10:30 h e a tarde das 14:00 às 18:00h

E assim, na manhã de 1º de Abril de 1976 iniciaram as aulas na “Escola Municipal de 1º grau 1º de Abril – do município de Barra do Garças”. Alguns dos primeiros alunos foram:

1ª série 1) Adélio Vargas 2) Ademir Galle 3) Aírton Galle 4) Andréas Uebel 5) Eduardo Ross 6) Elton Gröhs 7) Elton Lorenzon 8) Gerson Peters 9) Ilton Lorenzon 10) Jair Baldus 11) Jairton Baldus 12) José L. dos Santos 13) Paulo Becker 14) Valdir Wagner 15) Volmir Seibel 16) Clarice Knob 17) Eliane Ruff 18) Ieda Broch 19) Ilva Wesener 20) Maristela Both 21) Marli Gunsch 22) Roseli Klein 23) Verenice Both 24) Vilmar Wagner 25) Gélson Nhoato 26) Marina Galle.

2ª Série: 1)Abel Vargas 2)Cláudio Knob 3)Leomar Lindenmayr 4) Márcio Scherer 5) Sadi Zambenedetti 6) Vanderlei Seibel 7) Vilmar Gunsch 8) Cleonice Becker 9) Eliza Walker 10) Ledir Becker 11) Marlize Broch

3ª Série 1) Ari Müller 2)Delson Gröhs 3) Ilson Seibt 4) Ledani Broch 5) Margarete Zambenedetti 6) Marlice Seibel 7) Salete Sbrussi

4ª Série 1) Elio Walker 2) João Ivo Paters 3) Marcos Scherer 4) Martin Uebel 5) Nilvo Gröhs 6) Sadi Zillmer 7) Clair Knob 8) Lovani Göller 9) Nadir Lindenmayr 10) Nair Lindenmayr 11) Sonia Lorenzon 12) Alípio Lowe 13) Amarildo Becker Galera

No primeiro semestre todas as disciplinas e séries foram ministradas pelo professor Lauro Feldmann, em sistema multiseriado. Após uma quinzena de aulas o sr Antonio Lindenmayr fabricou uma carteira em madeira rústica, para três alunos sentarem juntos. A idéia interessou os outros pais que se preocupavam com a estrutura funcional da escola. E assim, formou-se o CPM- Circulo de Pais e Mestres.

Tem-se arquivo de um comunicado feito aos pais no dia 13 e maio de 1976 com informações sobre decisões do CPM, reunido no dia 12 de maio de1976, o qual deliberou que : Cada pai de aluno pagasse a importância de CR$ 400,00 (quatrocentos cruzeiros) até dia 20 de maio para cobrir as despesas e dívidas feitas para a construção da escola e das carteiras para os alunos.

Também decidiram comemorar o dia das mães, com apresentações artísticas e lanche. Cada aluno trouxe um prato de doce ou salgado. Bem como seria realizado uma festa junina, no dia 24 de junho de 1976, sem fins lucrativos.cada família trazia um alimento típico para confraternização.

Já no segundo semestre a prefeitura de Barra do Garças contratou a srtª Mara Sbrussi, para lecionar na turma de 1 ª série. Ficando no período matutino as turmas de 2ª, 3ª e 4ª séries com o professor Lauro. Em reunião o CPM decidiu formar uma comissão de pais e ir até à prefeitura municipal de Barra do Garças e aos responsáveis pelo projeto fundiário, exigirem a construção da escola prevista no projeto.

Ouviram a promessa da colonizadora de construção de um prédio em alvenaria com 04 salas de aula, 1 secretaria, 1 sala de professores e 1 cozinha. A comissão ficou radiante com a promessa da colonizadora e sequer foi a prefeitura municipal. Alguns dias após o retorno da comissão à Água Boa, foram informados via rádio amador, que a colonizadora estaria iniciando a construção da escola, porém não aquela que haviam prometido, e sim a construção de um prédio pré- fabricado feito em madeira de pinho.

O CPM não aceitou devido a madeira não ser resistente às nossas condições climáticas e aos cupins. A colonizadora “31 de Março”, construiu essa escola“pré-fabricada” na vila Serra Dourada. No inicio do ano de 1977 o C P M fez campanha para matricular alunos que estavam sem aulas, o sr Antonio Gröhs e Frederico Ernesto Carlos Muller visitaram fazenda por fazenda e trouxeram a lista de 25 alunos para cursar 5ª série. E dezenove alunos cursaram a quinta-série.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) sabendo da necessidade educacional desta comunidade enviou para Água Boa o professor Valdir Neuhaus, (sua remuneração era feita pela igreja Luterana e pela prefeitura), para integrar-se ao trabalho iniciado pelo professor Lauro Feldmann como ação social da igreja. A prefeitura de Barra do Garças contratou os demais professores:

1ª série Nelita Dalabrida; 2ª série Ilonia Marmet; 3ª série e 4ª série Silene Peters e para trabalhar de forma seriada por disciplina: Professor Valdir Neuhaus – Artes e Português Professor /diretor: Lauro Feldmann – Inglês Professora Ana Cleuza Z dos Santos – Matemática Professor - História Professor Ciências Professor Geografia Professor Ensino Religioso. Professora Ivone Didonet – Práticas do Lar.

A escola iniciou o ano com setenta (70) alunos matriculados de 1ª a 5 série e os professores não tinham aonde dar aulas. A sala era dividida com parede móvel de “Eucatex”. Essa divisória era retirada aos domingos, quando a escola servia como igreja. E sempre que a comunidade precisasse de espaço para reuniões.( as vezes, não ficava bem encaixada a divisória caia durante a aula).

Não haviam funcionários para fazer a limpeza. Os alunos,organizados em grupos, lavavam o piso que era de tábuas, varriam e capinavam o pátio. Por não haver espaço para as aulas os professores recorreram a um galpão abandonado da “Conagro”, o que dificultou o trabalho, uma vez que o galpão era longe. Localizava-se no terreno onde hoje está empresa “Disk Gás” na avenida Norberto Schwantes.

E neste galpão improvisaram –se salas de aula, no qual funcionaram diversas turmas, até a inauguração das seis primeiras salas do prédio atual.

Outra dificuldade foi a merenda escolar, na época, recebia-se as caixas de mantimentos. E foi remetido para a escola carne seca e farinha de mandioca. Sendo que a carne, estava velha e tinha cheiro forte, os pais não aceitaram e tudo foi devolvido para a secretaria de Barra do Garças. Junto, também foi a informação sobre os hábitos alimentares dos alunos que não comiam carne seca (charque) com farinha de mandioca.

O professor Valdir no mês de maio de 77, organizou festa em homenagem ao “Dia das mães” com apresentações artísticas e lanche p/ as mães. No mês de junho de 77 houve a primeira festa junina de Água Boa- promovida pela Escola Municipal 1º de Abril. O professor Valdir preparou uma quadrilha com música ao vivo (sanfona) os alunos animaram com diversas apresentações.

Alguns alunos que participaram da 1ª quadrilha foram: Cleide Gröhs e Amarildo Galera. Marli Gröhs e Martin Uebel entre outros A escola também preparou seu 1º desfile para o “Dia da Independência”. Os alunos trajando seus uniformes: Os meninos de calça marrom e camisa salmão e as meninas de saia marrom e blusa salmão, marcharam e cantaram o Hino Nacional, hasteando a bandeira.

Em 1978 a escola iniciou uma turma de 6ª série com treze alunos. Também fora organizada a 3ª festa junina e as comemorações cívicas com momentos de confraternização entre as famílias.

No dia 25/06/78 faleceu Antonio Gröhs e a comunidade escolar demonstrou sua solidariedade a família.

Em 1979 começou-se a construção do prédio em alvenaria, numa área de oitocentos e trinta e dois metros quadrados e o processo de transição de escola municipal para escola estadual. Ao iniciar a tramitação da escola municipal para a rede de escolas estaduais a comunidade escolar sentiu a necessidade de mudar o nome da escola e se reuniram para votação.

Os professores sugeriram o nome de Petrônio Portela, que fora ministro da educação e havia falecido naquele ano. Os pais e demais moradores presentes na reunião, destacando-se os agricultores: Sr. Adelir Uebel, Sr. Ângelo Zandoná, Sr. Armelindo Stein, Sr. José Elmo Kuhn dentre outros sugeriram o nome do pioneiro Antônio Gröhs para expressar gratidão e homenagem a quem de forma simples e peculiar tanto havia feito para que a escola existisse e funcionasse bem.

Realizaram uma votação e houve significativa expressão de apoio ao nome “ANTONIO GRÖHS”. Em 1980 concluíram a construção de seis salas, atualmente são: biblioteca, sala dos professores, sala de hora atividade, salas 03, 04 06, 07, banheiros femininos e masculinos e cozinha (onde é o depósito).

Todas estas salas eram salas de aula somente a sala 06 era usada para secretaria / direção/sala dos professores. A área construída era de 832 metros quadrados (conforme planta de 15/02/77). Também fora construída a quadra de esporte, muro e a calçada em frente. Neste ano de 1980, _________ freqüentavam a escola que atendia de 1ª a 8ª série.

O diretor era o sr. Inácio Marmet. A secretária a srª Silene Peters Freitas. Coordenadora Fátima Marlise Maroni Rosa Lopes. _---professores. Dos funcionários que estiveram a serviço da administração e apoio, continuam conosco: Ilonia Loenzon, Lira Otila Galle, Maria José da Silva Brito, Terezinha de Fátima Meneguini, Seny Terezinha Hilgert.

No inicio de 1981 deixa a direção o sr. Inácio Marmet e assume a direção o sr Renato Gröhs. Inicia-se o curso profissionalizante “Técnico em Contabilidade”, como extensão da escola “Marechal Eurico Gaspar Dutra” de Barra do Garças com 49 alunos matriculados.

Em 06/06/81 o governador do estado Frederico Carlos S. Campos nomeia para a direção a srª Geneci Bartz Kuhn. No inicio de 84 é publicado em diário oficial o reconhecimento do curso “Técnico em contabilidade” e no final do ano acontece a formatura da 1ª turma de 16 alunos.

No ano de 1987 concluíram o curso 13 alunos e no ano de 1986 concluíram 12 alunos. A partir de 1987, houv a extinção gradativa do curso. E a implantação o curso “Propedêutico”.

Durante o período de 1983-1985 a escola ofereceu a modalidade “Supletivo” –PAF-PEI, duas turmas uma para ensino meio e outra fundamental. Lecionado pelas professoras Rosa Carboni e Leila Garcia ( esta faleceu em 1986, enquanto professora desta escola).

No ano de 1986 a escola ofereceu atendimento as pessoas portadoras de necessidades especiais. No dia 04-04-86 a professora Nelsi Soares Dickmann iniciou a “sala especial” com 18 alunos.

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