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A eleição municipal não é um termômetro exato para medir os sentimentos populares sobre os problemas existentes e principalmente para os que deixaram de ser executados pelo Gestor Público e pelos Legisladores de um município.

Os cidadãos que acompanham o desenrolar das atividades realizadas, que lêem, que seguem nos meios de comunicação os bastidores da política, sabem que muitos eleitores não tem a cultura da educação política, votam por votar, votam naquele que lhes fez um favor, naquele que te cumprimenta sempre, naquele que te ajudou na última semana da eleição, enfim, não sabem discernir qual é o papel de um legislador e tampouco de um prefeito. Muito antes de qualquer eleição, nossa maior urgência é a Educação Política.

Inserir uma cultura nova, no qual as pessoas pensem que o período de quatro anos é longo para termos legisladores e prefeito que não se sobressaiam em suas ações.

O trabalho deve ser realizado nas ruas, nas instituições, nas redes sociais, na imprensa, nas igrejas. Esse projeto de Educação Política exige organização, disciplina, vontade de acabar com desigualdades, com injustiças, com privilégios, e, diga-se de passagem: quantos privilégios!

Em Água Boa isso foi visível e nem com pressão popular nas redes sociais e na Câmara Municipal, os legisladores se conscientizaram de que a Verba Indenizatória é legal, mas é imoral. Por isso o maior sonho dos cidadãos de bem é a Educação Política.

Para que isso aconteça acreditamos que levará dezenas de anos, pois teremos um entrave de com quem realizá-lo, onde, quando e se é possível acontecer essa conscientização.

Nas eleições municipais outro problema que está ligado a Educação Política é a pouca representatividade da mulher, embora as cotas estão a disposição para serem preenchidas.

As iniciativas para aumentar a representatividade feminina mostram que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que as integrantes da maior parte do eleitorado brasileiro consigam se eleger na mesma proporção do que os homens.

Tenho acompanhado nas redes sociais que alguns partidos políticos começam a se organizar no sentido de capacitar as mulheres para realmente estarem disputando a eleição, independentemente da existência de cotas, para terem consciência da importância da representatividade feminina na política e do papel que devem exercer na sociedade, para que fiquem aptas a disputar de igual para igual.

Em nosso município não presenciamos isso, observamos que os partidos apenas procuram preencher as cotas. Sem incentivo, muitas mulheres deixam de se candidatar e perdem a oportunidade de mostrar o seu trabalho. Observamos que muitas delas são politizadas, grandes líderes e com serviços prestados em vários setores na sociedade.

Nesta concepção da velha política caminham os nossos eleitores, os nossos legisladores e gestores.

Esperamos que 2020 seja diferente, que o cidadão volte os olhos para um novo conceito de política, já que o voto é importante porque é por meio dele que escolhemos as pessoas que nos representarão por quatro anos.

Quem não participa das eleições conscientemente não pode reclamar depois, e ainda estará colaborando para o não crescimento do município, pois o voto rege tudo o que a gente faz, embora muitos se mostram desiludidos com a política.

Esperamos que em 2020 não prevaleça as velhas tradições políticas que tanto nos causam decepções. Temos que deixar claro o que estamos pensando e o que queremos para nosso município. Precisamos mudar a tradicional e velha política por uma nova conceituação de Educação Política em que prevaleça a ética e a responsabilidade com o bem público, isso servirá como alerta tanto para os cidadãos, como para os legisladores e gestores públicos.

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Inez Trentin Zandoná é professora graduada em Letras; Especialista em Metodologia do Ensino de Português; Especialista em Planejamento Educacional e Especialista em Docência do Ensino Superior. Fundadora da Associação de Senhoras de Rotarianos de Água Boa; Coordenadora Distrital das ASR 2015/2016 e idealizadora do Projeto Ateliê Costura do Bem.