Pichetti Rui Vilani  Inez Trentin Zandoná    Outros

Novembro chegou e com ele temas especiais que valem a pena ser abordados em um artigo, como a campanha do novembro azul para prevenção do câncer de próstata, a comemoração da instituição do voto feminino no Brasil, que se comemora no dia 03 de novembro e ainda temos o dia da proclamação da República e da consciência negra, dentre outros.

Como as eleições neste ano vão acontecer em 15 de novembro e também por ter o maior número de participação feminina de toda a história do Brasil, eu como defensora da participação da mulher na política, não poderia me eximir de abordar tão relevante pauta.

Em 1918, Bertha Lutz retorna da Europa onde estava forte o movimento de direito ao voto feminino e dá início a discussão do tema também no Brasil. O movimento durou mais de uma década até que fosse oficializado. A luta foi árdua e embora tenha encontrado muita resistência, principalmente vinda da igreja católica, cresceu e ganhou força com a adesão de mulheres em várias partes do Brasil.

A luta surgiu em resposta a exclusão da mulher da política. Elas acreditavam que as desigualdades que enfrentavam jamais seriam corrigidas se não se envolvessem diretamente na política. Assim, resolveram se unir para lutarem juntas por seu direitos.

A primeira vitória do movimento sufragista aconteceu em 1927, quando o Estado do Rio Grande do Norte reconheceu o alistamento eleitoral feminino, permitindo a mulher votar e ser votada. Foi quando tivemos a primeira prefeita eleita no Brasil, mais precisamente no município de Limeira-RS, Alzira Soriano.

Em 1930, depois de muita pressão, foi instituído no Brasil o direito ao VOTO FEMININO, mas em razão da revolução, a lei somente foi promulgada em 1932. Marco muito importante na luta da mulher por seus direitos. Ela passa a ser figura decisiva nas eleições, pois na época já representava 51,7% do eleitorado no Brasil. A conquista do direito ao voto era muito maior do que simplesmente ter o direito de votar e ser votada. Esta conquista representa também a conquista de muitos outros direitos decorrentes da participação efetiva da mulher na política. Logo nas primeiras eleições realizadas em 1933, o brasil elegeu a primeira deputada federal, Carlota Pereira de Queiroz, deputadas estaduais em diversos Estados e a primeira deputada negra, Antonieta de Barros.

De lá para cá muita coisa evoluiu para a mulher, principalmente na conquista de direitos, mas ainda temos uma representatividade muito inferior a dos homens na política, embora sejamos mais de 52% dos eleitores.

Os próximos dias serão marcados por muito trabalho de homens e mulheres em busca do voto. Se elas sairão vencedoras nas urnas só mesmo o tempo irá nos dizer, mas já podemos vislumbrar que na próxima legislatura teremos sim mulheres na câmara de Cuiabá.

Isso mostra claramente que nenhuma luta é em vão. Obrigada Bertha e tantas outras mulheres que acreditaram no impossível e ajudaram a mudar a história. Agora temos muitas mulheres dispostas a fazer história em Cuiabá, uma inclusive disputando a cadeira do executivo da capital.

Se tivermos sororidade poderemos fazer a diferença e garantir que muitas mulheres ocupem um cargo público. Se de fato quisermos, vamos conseguir. Vamos honrar a luta da Bertha e fazer bonito como estão fazendo e fizeram Estevina, Telma, Serys, Janaina, Jacy, Iraci, Teté, Chica, Lucimar, Rosana e a saudosa Vilma Moreira da Silva a primeira deputada negra eleita em Mato Grosso e que nos deixou no ultimo 31 de outubro, para citar apenas algumas. Mulheres que deixaram a zona de conforto para se tornarem vereadoras, prefeitas, deputadas e senadoras. Marcaram e estão marcando a história, fizeram e fazem a diferença no mundo em que vivemos.

Sirlei Theis é advogada, gestora ública, palestrante e treinadora comportamental.

Fonte: O Bom da Notícia