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Foto: AGRNotíciasFoto: AGRNotícias

Cerca de 60% da riqueza gerada no município de Gaúcha do Norte está ligada ao agronegócio; Os dados são do levantamento do Valor Adicionado (VA) de 2018. Neste estudo realizado, o município gaúcho nortense aparece com o terceiro maior VA no agronegócio da região e com exatamente R$ 287.675.267,90, ficando atrás apenas de Querência-MT e Canarana-MT.

Mesmo com altos números de movimentação no agronegócio, o município apresenta a pior logística e os produtores pagam o maior custo de produção da região. Para os produtores diante do cenário, mesmo com as dificuldades, a estimativa ainda é positiva.

De acordo com a SEFAZ - Secretaria de Estado da Fazenda. "valor adicionado do município corresponderá à soma dos valores das mercadorias saídas, menos a soma dos valores das mercadorias entradas, acrescido ao resultado, quando nulo ou positivo, do valor das prestações de serviços, no seu território".

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O Grupo Jequitibá Agro é um dos investidores do município, seu proprietário João Caetano de Mello Neto vem investindo em áreas desde 2009 e sempre arrendando para terceiros. “Ano passado foi nossa primeira safra de soja produzindo em 650 hectares, esse ano estamos aumentando para 1.100 hectares e com expectativa de aumentar gradativamente a área. Para a próxima safra já estão estimados 1.500 hectares destinados para a cultura”, apontou o Diretor de Operações do grupo, Caio D’Amore Mello.

Para o grupo, os investimentos foram motivados pela força do ramo do agronegócio que é algo muito pujante e pelo potencial de Gaúcha do Norte. “Acreditamos que a região é muito boa, muito próspera, com potencial para desenvolver muito, apesar das dificuldades de logística”, pontuou o Diretor de Operações.

“Sofremos com nossa logística que pesa na hora de comprar os insumos, porque eles chegam mais caros e na hora de vender a produção precisamos vender mais barato, estreitando assim a margem nas duas pontas, na hora de comprar e na hora de vender”, complementou Mello.

Com áreas recebendo trabalhos de plantio, a atual safra pode ocupar cerca de 230 mil hectares no município e com boa expectativa de produção, uma vez que na maioria das áreas foram registradas chuvas regulares. O plantio vem acontecendo dentro da normalidade, um pouco mais atrasado que ano passado, porém dentro da média do município.

Há produtores que investem (conseguem boas produções, bons negócios e driblam as dificuldades), porém, essa não é a realidade de todos os produtores locais.

Logística

A logística é o maior gargalo do setor produtivo em Gaúcha do Norte. Com todos os acessos do município em estradas de chão, parte do lucro fica no transporte. Em época de seca são os buracos e poeira, em período chuvoso, atoleiros.

Em um dos acessos está a BR-242 com pavimentação inacabada, Rodovia Federal que vem de Sorriso, passa por Gaúcha do Norte e segue para a região leste, mas o chão preto ainda está em Santiago do Norte há cerca de 140 km de Gaúcha. Pela MT-129 com acesso à Paranatinga, são 120 km de chão, e depois disso segue mais cerca de 80 km pela MT-020 com obras de pavimentação que já duram anos, alguns trechos concluídos, outros não. Outro acesso é por Canarana, onde são 155 km, desses, 70 km sem pavimentação.

A Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado de Mato Grosso) tem contribuído com a logística com promoção de debates e fundação de movimento. “A questão da logística é uma questão que a Aprosoja trabalha integrada focando a logística nacional. Ela fundou o Movimento Pró-logística que coordena as políticas de logística de âmbito estadual e nacional. Um exemplo disso é o projeto da nossa BR-242, no projeto de Santiago até a BR 158 havia desinformações, sendo assim, a Associação bancou o novo projeto que refez todo o traçado, investindo milhões de reais. Outra frente que a Aprosoja trabalha em prol da logística é defendendo que o imposto Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação) seja destinado para os fins que foi criado, que seria a logística. Foram feitas manifestações para tentar cobrar e pressionar o governo para que o recurso seja destinado ao seu fim”, apontou o produtor e coordenador do núcleo da Associação de Gaúcha do Norte, Luiz P. B. Bier.

“Nosso núcleo tem se movimentando, esse ano seu Edeon Vaz já esteve duas vezes no núcleo para explicar a situação das estradas aqui em “Gaúcha”, como estão os recursos federais e estaduais para pavimentação tanto da MT-129 quanto da BR-242”, completou Bier. Edeon Vaz é diretor Executivo do Movimento Pró-logística.

Além da BR-242, o coordenador do núcleo da Aprosoja comentou sobre as contribuições com a AMEX – Associação de Manutenção e Extensão da Rodovia MT. “Nós como Aprosoja e Sindicato Rural cedemos uma sala do Sindicato para o funcionamento do escritório da Amex. Espaço, internet, energia, nada é cobrado da Associação”, finalizou Bier.

Reestruturação do projeto de pavimentação da MT-129 segue em tramitação. Pavimentação deve ocorrer através de parceria entre Governo do Estado e AMEX.

Fonte e Fotos: AGRNotícias.