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O gergelim se tornou uma das principais culturas de safrinha na região do Médio Araguaia, em Mato Grosso, competindo com o milho em área plantada. Porém, a grande maioria das variedades plantadas não são registradas, o que já está gerando problemas junto aos órgãos de fiscalização. Para trazer uma solução, o Sindicato Rural de Canarana – MT (SRC), conseguiu junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o registro das variedades de gergelim Trebol e K3. Em outras palavras, significa agora que a entidade se tornou a dona das variedades e fará parcerias e investimentos para a purificação das sementes.

Uma das parcerias é com o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA), que fará pesquisas e a purificação varietal. O IMA já vem fazendo trabalhos na região com o gergelim. A partir da purificação, se obtém a semente básica que servirá para a multiplicação e posterior repasse aos produtores para o plantio em escala comercial. O presidente do Sindicato Rural de Canarana, Rodrigo Piccinini, acredita que esse processo demore mais dois anos. “Pode ser que seja mais rápido se a semente coletada estiver mais pura, mas se tiver muita mistura com outras variedades vai ser mais lento”, explica.

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Enquanto demorar esse processo, os produtores continuarão a plantar as sementes que eles mesmos salvam e guardam todos os anos. Para evitar problemas, o SRC mantém conversas com o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso). “Pretendemos fazer um pré-cadastro junto ao sindicato, para autorizar os produtores a plantar as sementes que eles tem em casa. Com isso, queremos fazer um termo de compromisso e conseguir a liberação do Indea até a disponibilização das variedades purificadas”, disse Rodrigo.

Todo esse trabalho demanda investimentos e a tendência é que após a purificação, se estude uma forma de arrecadação, tipo royalties, que servirá tanto para a manutenção das pesquisas, quanto do próprio SRC, que precisa de uma forma de arrecadar recursos após o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. “Unir a classe pra gente ter a manutenção desse banco genético dentro do sindicato, além de poder explorar novas variedades, novos germoplasmas, com outras variedades de gergelim que se adaptem à região. Isso tudo tem um custo. Mas vamos discutir em reuniões para formatar uma maneira de evoluir geneticamente e, também, trazer junto a sustentabilidade desse projeto junto ao sindicato”, coloca Piccinini.

Na última safra, Canarana plantou 85 mil hectares com gergelim, conforme levantamento feito pela Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (Seagri). Para a safra 2021, Rodrigo não acredita em aumento de área por conta dos bons preços do milho, que anima os produtores a promover a rotação de culturas. Na última safra foram quase 100 mil hectares plantados com milho no município. “A janela de chuvas é que define muito isso e a tendência é que o produtor faça uma rotação aproveitando o preço do milho. Mas o produtor não vai deixar o gergelim de lado, porque nossa janela para plantar o milho é pequena”.