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Na manhã da terça-feira (8), a Aliança da Terra, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que reúne 1,3 mil fazendas, a maior parte no Centro-Oeste do País, recebeu um pedido de socorro de tribos indígenas do Parque do Xingu. Endereçada ao pecuarista John Cain Carter, presidente da Aliança da Terra, os índios pedem ajuda para apagar focos de incêndio surgidos neste final de semana na reserva, uma área de 2,6 milhões de hectares nos quais há 16 povos indígenas.

De acordo com lideranças desses povos, há 31 focos de incêndio de grandes proporções na área. Os índios Mayaru Kamayura, herdeiro do cacique da etnia Kamayurás, e Kanawayuri Marcello Kamayura, conselheiro da Brigada Indígena, pedem “em caráter de urgência, um reforço da Brigada Aliança da Terra para inicialmente combater dois focos de incêndios na região do lago Ypavu e Jacaré”.

A Aliança da Terra, que nasceu em 2006, tem entre as suas orientações às fazendas do grupo o combate a incêndios em pastagens, lavouras e reservas. Como essas propriedades, principalmente em Mato Grosso, se localizam ao lado de terras indígenas, a instituição tem parceria com esses povos na prevenção, treinamento e combate a incêndios em suas terras. A parceria com indígenas começou em 2103 e tem sido constante, desde então. Por exemplo, toda teoria de combate a incêndios, com base no Serviço Florestal Norte-Americano, que orienta as brigadas das fazendas também serve aos índios.

A entidade começou a tomar as primeiras providências para socorrer os índios, de acordo com Aline Locks, uma das diretoras da Ocisp. “É desesperador. Nós apoiamos o Alto Xingu, no combate às queimadas, há quase 10 anos. Formamos uma brigada indígena, que vem fazendo um trabalho excelente para salvar suas terras, mas esse ano as coisas saíram do controle”, diz ela.

Mayaru e Kanawayuri relatam que dos 12 indígenas treinados para compor a brigada de incêndio, 4 estão fora de serviço e isolados porque contraíram a Covid-19. Daí o pedido urgente de ajuda, porque a fumaça agrava ainda mais as complicações no sistema respiratório desses povos. “Importante ressaltar que essa situação coloca todas as ações de controle e combate de incêndio florestal prevista em total prejuízo ambiental para a população, plantas e animais, especificamente na abrangência do Alto Xingu”, afirmam eles.

Até o final da tarde de hoje, a Aliança da Terra já havia escalado 5 brigadistas que estão prontos, com carros equipados para seguir até as aldeias. Para isso, eles esperam a autorização da Funai. Desde o início da pandemia, a atuação da entidade tem sido de suporte, com o envio de equipamentos, alimentação, combustível e orientação remota a partir das brigadas da entidade para a Brigada Indígena.“Nesse exato momento estamos custeando o conserto de algumas motos dos brigadistas indígenas para dar suporte aos combates. Emprestamos todas as 3 motos da brigada para eles e ficamos sem nenhuma na nossa base”, afirma Aline.

Enquanto socorre os índios, uma das ações da Aliança da Terra foi a criação de um fundo de ajuda aos brigadistas, aberto a quem quiser contribuir. Para existir, a Ocisp depende de doações financeiras do setor público, privado, sociedade civil, fundações e agências de desenvolvimento.