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Um grande incêndio em um assentamento em Cláudia, no norte de Mato Grosso, destruiu propriedades e matou animais, deixando centenas de famílias que vivem da agricultura familiar devastadas. Pelas estimativas dos moradores, mais de 100 sítios foram prejudicados.

Desolado, o agricultor Cícero Corrêa caminha por cima dos escombros do que sobrou da casa mobiliada, totalmente consumida pelo fogo avassalador, que não poupou nada dentro do pequeno sítio de cinco alqueires. Além da moradia, dois pomares frutíferos, cercas e uma grande área de pastagem foram destruídas. “O pouco que eu tinha o fogo levou. Agora, aos 66 anos de idade, não sei onde vou ficar e peço socorro”, diz.

Na propriedade da família Vieira, o fogo também causou muitos estragos. Além da plantação e equipamentos, vários animais perderam a vida, entre elas quatro vacas. “Não tem mais nada. Ainda conseguimos salvar uma vaca, que trouxemos arrastada, que estava parindo um bezerro, e agora não temos trato para dar para ela”, relata a produtora Maria Borba Vieira.

De acordo com o filho de Maria, Aldo Vieira, eles terão que começar do zero. “A gente faz esse apelo: pedimos aos governantes que nos ajudem, porque agora não temos nem para a sobrevivência, porque não temos como comprar mais nada, nem trato para o gado”, lamenta.

Quem conseguiu tirar os animais das chamas, luta pela sobrevivência deles, é o caso de Dorival Antonio, que ainda tem esperança de recuperar o touro que sofreu queimaduras no corpo. O produtor também teve a propriedade praticamente destruída. Segundo ele, dez anos de investimentos viraram cinza em poucas horas. “Meu gado agora sem cerca, boi morrendo, outras vacas caindo a unha, com os pés todos queimados. Minha lavoura de caju, maracujá, toda queimada, toda destruída. Se viesse uma ajuda, seria bem-vinda, porque eu ainda pretendo produzir aqui. Deus vai ajudar a gente”, diz.

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Do lado de fora do assentamento, a propriedade de Ivan Marx Hoffman também foi atingida. O fogo destruiu toda a cobertura de palhada de mais de 160 hectares dele e de fazendas vizinhas. “Eu e minha família plantamos aqui há mais de 20 anos com palhada e tentando trabalhar com agricultura de plantio direto para evitar revolver o solo, manter os nutrientes e melhorar a qualidade do meio ambiente, e foi tudo perdido nesse incêndio”, conta.

Segundo Hoffman, foi uma verdadeira batalha junto dos vizinhos. “Praticamente uns dez tratores, grades, quatro ou cinco pulverizadores, com tanque de água tentando apagar, mas foi impossível controlar, em função dos ventos fortes e da temperatura superelevada, acima dos 40ºC. Acabou queimando no geral em todos os vizinhos, já passa de mil hectares entre palhada de milho, braquiária e pastagem com gado”.

O agricultor acredita se tratar de um incêndio criminoso, e abriu um boletim de ocorrência. “A situação está complicada no município de Cláudia, estão colocando fogo em vários lugares”, diz.