0
0
0
s2smodern

 

Foto: ReproduçãoFoto: ReproduçãoO ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes negou pedido de liberdade feito pelo ex-prefeito de Brasnorte Eudes Tarciso Aguiar (DEM). Ele foi preso preventivamente em novembro de 2018, acusado de participação em esquemas de lavagem de dinheiro ao lado do traficante internacional de drogas Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca.
Gilmar Mendes entendeu que o caso não se tratava de decisão contrária à jurisprudência do STF nem de “flagrante hipótese de constrangimento ilegal”, ao negar liberdade ao ex-prefeito. A decisão é do dia 7 e foi publicada nesta segunda (11).

As empresas Madeira Imperatriz Ltda e Agropecuária Estrela do Oeste Ltda, qual o Eudes Aguiar é sócio ao lado de seu irmão Alessandro Rogério de Aguiar, conhecido como “Urso Pequeno”, teriam mantido negócios com a Fama, empresa de fachada do traficante.

A defesa alegou que entre 2012 e 2016, por estar exercendo a função de prefeito, ele não teria tido qualquer participação nas empresas da família. Para os advogados, as investigações teriam mostrado apenas “ínfimas operações realizadas pelas sociedades empresárias sob a gerência de Alessandro Aguiar enquanto o paciente exercia mandato de prefeito de Brasnorte/MT”.

No celular de Cabeça Branca foi encontrada uma imagem com dados bancários do Instituto Biodiversidade, o que sugere que uma transferência de R$175 mil à Agropecuária Estrela do Oeste teria sido feita a mando do traficante.

As investigações ainda teriam apontado ligação do ex-prefeito com Mauro Augusto Laurindo da Silva, sócio da Fama.

Durante buscas feitas pelos policiais na casa de Cabeça Branca, foi encontrado um contrato de compra de uma fazenda pela empresa Agropecuária Estrela do Oeste. Eudes afirmou que a empresa possuía “saúde financeira para adquirí-la” e que “não tem a menor ideia do porquê de documentos relacionados à transação sob análise terem sido encontrados na residência de Luiz Carlos da Rocha”.

As investigações mostraram que a empresa esteve inativa entre 2010 e 2013 e foram feitas declarações zeradas à Receita Federal em 2014 e 2015, indicando que a empresa não teve qualquer receita no período.

“O investigado Eudes atribui à responsabilidade pela gestão da empresa a Alessandro (que se encontra foragido). Entretanto, as conversas interceptadas e os áudios encontrado no celular de Eudes demonstram que ele tinha conhecimento das ações ilícitas de seu irmão e participava, ao menos, de parte delas. É o caso da extração ilegal de madeira em uma de suas fazendas”, disse o ministro.

Áudios do WhatsApp, encontrados no celular de Eudes, mostram que ele o e irmão conversavam sobre a utilização de laranjas para esconder que eram donos de fazendas em que o Ibama fez fiscalização e multou por extração ilegal de madeira. O ministro ainda aponta que o modo de operação seria utilizada por eles também para lavagem de dinheiro. Em uma das propriedades do ex-prefeito foram encontrados mil galos e estrutura para rinhas de galo.

“A proximidade com o irmão Alessandro, as inúmeras contradições e insubsistências de seu   interrogatório, as movimentações financeiras pessoais e de suas empresas envolvendo   pessoas jurídicas ligadas a Luiz Carlos da Rocha, tudo isso sinaliza que Eudes, ao contrário do que transparecia, desempenha papel ativo na organização criminosa. Além disso, ao que tudo indica, Eudes pratica deforma habitual, outros delitos: crimes ambientais, corrupção e provável envolvimento em delitos de lavagem de dinheiro para ocultar patrimônio pessoal e da família”, dizia o pedido de prisão preventiva acatado pela Justiça Federal em Curitiba.

O grupo do traficante Cabeça Branca foi alvo das operações Spectrum e Sem Saída, conduzidas pela Polícia Federal. Mais de R$ 100 milhões em bens e recursos advindos do cometimento de crimes foram bloqueados e recuperados.